Copenhague e a contribuição dos pequenos empresários

Para reverter um prognóstico desesperador em relação ao meio ambiente, será necessário que nos preparemos para adotar mudanças cotidianas, inclusive nas empresas

Por Claudio Tieghi*

As atenções do mundo estão voltadas para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), a ser realizada daqui a duas semanas (de 7 a 18 de dezembro), em Copenhague. Na berlinda da capital dinamarquesa está o futuro das novas gerações que podem ser privadas dos recursos naturais necessários à manutenção da vida.

Para se ter uma pequena amostra da importância da COP 15, esta semana 11 institutos de pesquisa do Brasil divulgaram um amplo estudo sobre os impactos do aquecimento na economia brasileira. Em 10 anos, o prejuízo chegará à cifra de R$ 7,4 bilhões. Em 2070, ele dobra para R$ 14 bilhões. Áreas agriculturáveis de estados inteiros deixarão de existir. Os alimentos podem se tornar escassos, milhares de pessoas vão ter que migrar. E para onde?

Em Copenhague, o presidente Lula pretende apresentar uma meta arrojada: diminuir em 40% as emissões de gases que provocam o efeito estufa por meio da redução do desmatamento, principalmente na Amazônia, e do reflorestamento até 2020. Para ratificar sua determinação, poderá ostentar o menor índice de desmatamento da floresta amazônica dos últimos 21 anos que resultou na diminuição de 300 milhões de toneladas de gás carbônico lançadas na atmosfera. Marca obtida graças, sobretudo, às pressões da sociedade civil, de ambientalistas, ONGs, empresas e até mesmo de agentes públicos.

Embora possamos observar um “empoderamento” do cidadão, o investimento em educação e consciência ambiental ainda é muito pequeno. O êxito em Copenhague é o primeiro passo para reverter um prognóstico desesperador, mas e depois? Mesmo que os acordos selados tragam perspectivas otimistas, será necessário que nos preparemos para adotar mudanças cotidianas.

Enfrentar o aquecimento global é uma das encruzilhadas em que se encontra o capitalismo de massa. Como incluir milhões de pessoas à margem do consumo, sem impactar ainda mais negativamente o meio ambiente? Parece óbvio que se todas passarem a consumir como nos países desenvolvidos, o planeta entrará ainda mais rapidamente em colapso. Portanto, repensar estilos de vida e dos negócios será indispensável.

Educar para o consumo, estabelecer novas formas de produção e comercialização, dar outro significado ao desenvolvimento com foco no meio ambiente e no desenvolvimento humano são desafios que permanecerão após a COP 15 e não podem ser ignorados. Nesse contexto, a participação dos pequenos empresários será fundamental. Responsáveis por 98% dos estabelecimentos comerciais do país, eles promovem o desenvolvimento com envolvimento. São criativos, inovadores, sabem se relacionar de forma muito próxima à comunidade, são multiplicadores natos. Quando assumem compromissos a favor da sustentabilidade se tornam líderes capazes de transformar a realidade em que estão inseridos.

* Claudio Tieghi é presidente da Associação Franquia Sustentável (Afras)

 

Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios

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