Brasil: alvo de investimentos verdes

O jornal Valor Econômico publicou uma reportagem a respeito dos investimentos verdes das empresas francesas no Brasil.

Leia materia na integra por Cláudia Schüffner – em verdito pontos que achamos mais interessante…

Ambiente: Financiamentos visam mercado de crédito de carbono e geração elétrica a partir de fontes renováveis
Brasil é alvo de projetos “verdes” franceses

A corrida europeia para reduzir as emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa já tem efeito sobre investimentos franceses no Brasil. Na França, o país é visto como um alvo importante para projetos de geração elétrica a partir de fontes renováveis e a própria geração nuclear é parte das ambições de gigantes como a GDF Suez, que aceita até participação minoritária em projetos, caso o governo brasileiro mude a legislação que proíbe a presença estrangeira no setor.
Exemplo desse boom em torno da energia limpa é o mercado de créditos de carbono, que movimentou US$ 33 bilhões em 2008 e que já está presente no Brasil. O mercado é administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a quem cabe conceder os créditos para projetos de energias limpas que reduzam as emissões. Depois de concedidos, os créditos podem ser comprados por empresas dos países desenvolvidos que não conseguem cumprir as metas europeias de redução das emissões, a exemplo das cimenteiras.
A Natixis Environnement & Infrastructures (Natixis E&I), empresa que administra o Fundo Europeu de Carbono (FEC), com € 142 milhões de 14 instituições financeiras europeias de primeira linha, procura projetos de desenvolvimento sustentável para financiar no Brasil. Até agora o FEC comprou 5,3 milhões de toneladas de carbono de vários projetos no Brasil e procura outros, como explica a administradora-sênior de investimentos, Cristel Guillain.
No Brasil, a Natixis negocia com a Sadia o financiamento de um investimento da empresa para transformar o metano liberado após a fermentação de dejetos de porcos em gás carbônico, que é 21 vezes menos poluente. A negociação com a Sadia começou em 2007 e a unidade vai reduzir em 2,7 milhões de toneladas suas emissões. Cristel não entra em detalhes sobre o valor do investimento. “Até agora a Sadia usou recursos próprios, e quando a ONU reconhecer a baixa emissão ela receberá os créditos”, explica a executiva.
A busca por projetos de créditos de carbono em países em desenvolvimento, como o Brasil, também trouxe a EcoAct, uma consultoria francesa especializada no mercado de créditos de carbono, com faturamento de € 2,8 milhões, ao país em 2007. O objetivo é identificar e desenvolver projetos de compensação ambiental no Brasil que possam ter os créditos de carbono vendidos para empresas francesas que não estão conseguindo reduzir o impacto ambiental de suas atividades.
Já a Voltalia, uma pequena empresa francesa de geração de energia de fontes renováveis, poderá gerar 600 megawatts (MW) no Brasil se conseguir levar todos os projetos adiante. A empresa tem capacidade de produzir 1.892 MW de energia de diversas fontes, como eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas na França, Grécia, Guiana Francesa e no Brasil. No Brasil, ela tem projetos para geração de energia eólica e hidráulica no Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, além do Ceará, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Os investimentos no país poderão variar entre € 300 milhões e € 500 milhões nos próximos sete anos, segundo o presidente da Voltalia, Robert Dardanne. Parte disso viria de captações.
Citando o potencial não explorado de 310 gigawatts (GW) para geração eólica do Brasil, a Voltalia quer fazer pelo menos uma pequena parte disso se conseguir se qualificar nos leilões. No Nordeste, a empresa vê possibilidade de instalar turbinas eólicas longe do litoral, para evitar que as imensas pás estraguem a paisagem paradisíaca da região. “O presidente Lula disse que quer melhorar o mix energético do país com mais energia renovável, mas o país, pelo tamanho e diversidade, tem dificuldade de implementar. A Voltalia é uma empresa muito pequena, mas temos esperança de contribuir com pequenas unidades em regiões que hoje não têm acesso à energia sustentável”, afirma Christophe Ripert, administrador da Voltalia.
Não por acaso, as conversas com a Eletrobrás já começaram. Ripert considera “paradoxal” que um país com tamanho potencial energético ainda não explorado, como o Brasil, planeje mais usinas nucleares, em vez de intensificar a produção com base em energias renováveis, reduzindo a participação de térmicas a óleo e carvão.

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