Papo pra boi dormir?

A  produção de carne bovina orgânica cresce no país…que bom né?

Acho que quem come carne, tem mais é que pelo menos consumir orgânico ou se quiser ser mais grass roots; grow your own.

Mas acho que vale questionar o quanto que é de fato necessário o consumo da mesma todo dia/ todas refeições…não é porque é orgânico que precisamos continuar neste consumo irracional…não somos carnívoros, lembra?

Além de que variar o cardápio nos deixa mais ricos, sabia? Experimente.

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Leia os artigos da Folha 

Pecuária orgânica cresce no Pantanal

Eles moram no campo aberto, longe da aglomeração. Têm tempo livre para passear pelas planícies naturais e só se alimentam de vegetais sem agrotóxicos, jamais plantados em áreas desmatadas. Para a saúde, fazem prevenção com ervas medicinais e homeopatia, como em comunidades hippies.

Não consta, porém, que haja muitas delas no Mato Grosso do Sul, onde esse estilo de vida, na verdade, é o dos bois “orgânicos”, criados desde 2004.

Uma associação de pecuaristas do Pantanal começou o negócio da estaca zero naquele ano. Hoje, somada a um grupo de produtores do Mato Grosso, na região do Cerrado, encaminha para abate 1.000 animais por mês. Cerca de 400 deles saem do Pantanal, e o resto do Cerrado da bacia do Alto Paraguai, onde nascem os rios da região.

Ainda é uma produção pequena. A pecuária convencional sul-matogrossense é cerca de 500 vezes maior que a de produção ecologicamente correta. O nome orgânico não significa que bois convencionais sejam “inorgânicos”. A expressão vem da política para agricultura dessa classe de alimentos, que proíbe uso de pesticidas inorgânicos.

Toda a carne bovina orgânica certificada brasileira sai hoje da bacia pantaneira e é distribuída pelo grupo JBS-Friboi, maior frigorífico do mundo. Para cada boi orgânico abatido pela empresa, porém, ela vende 570 animais criados de modo convencional.

Os números pequenos, contudo, não intimidam fazendeiros que adotaram esse modo de produção. “O orgânico tem avançado muito rápido, até porque tinha pouco mercado”, diz Leonardo Leite de Barros, presidente da ABPO (Associação Brasileira de Pecuária Orgânica). A entidade já certificou dez fazendas para criar gado orgânico no Mato Grosso do Sul e tem mais 12 em processo de avaliação. “Quem tem pouco avança sempre mais rápido.”

Barros administra com seu irmão Luciano a Fazenda Rancharia, em Corumbá (MS), onde bois pastam em campos alagáveis dividindo espaço com emas, capivaras e veados. Segundo ele outros produtores ainda têm receio de abandonar a pecuária intensiva, que requer desmate de áreas secas. “Eles acham a gente completamente maluco”, diz. “Acham que nos unimos ao inimigo.”

O “inimigo”, no caso, é a ONG ambientalista WWF Brasil, na verdade uma parceira nas negociações que consolidaram a cadeia produtiva do boi orgânico no país. Não foi algo fácil, já que boa parte da demanda por alimentos orgânicos é criada por pessoas vegetarianas.

“A maioria dos nossos consumidores que a gente encontra nos pontos de venda são ex-vegetarianos, que não compravam carne por conta da questão do bem estar animal”, diz Josiane Stringhini, coordenadora de marketing do JBS-Friboi. O abate dos animais que chegam lá também segue procedimentos “humanitários”, afirma.

“O boi fica um período dentro do curral, para que possa descansar, e recebe uma ducha de água morna. Depois, recebe um êmbolo de ar certeiro, próximo à testa”, diz. “Assim, ele não fica estressado e não percebe que vai ser abatido.”

A ABPO e o WWF lançaram na última terça-feira um protocolo prometendo adotar práticas socioambientais que vão além das exigidas para certificação orgânica. Para entrar na associação, criadores terão de dar às famílias de peões acesso a escola e médicos, além de tentar criar um corredor de áreas protegidas na região. Segundo Barros, a ideia é vincular o Pantanal à carne orgânica, hoje ainda vendida sem selo de origem.

(Fonte: Folha de S.Paulo)

Boi “feliz” rende carne mais saudável, diz fazendeiro pecuarista vegetariano

“Nós produzimos um boi feliz”, afirma José Carlos Thimoteo Lobreiro, proprietário da Fazenda Millenium, no Mato Grosso do Sul. A frase soa inusitada por partir de um pecuarista que cria gado de corte, mas parece ainda mais estranha quando se descobre que Thimoteo é um vegetariano.

Ex-professor de patologia da reprodução na universidade federal do estado, o fazendeiro abandonou as técnicas tradicionais de criação de gado para adotar as ervas medicinais e a homeopatia como principal ferramenta de prevenção de doenças em seus rebanhos.

Sua opção por não comer carne, diz, não consiste em uma contradição. “É uma coisa absolutamente pessoal”, afirma. “Fico feliz porque crio um produto de qualidade para pessoas que têm essa necessidade.”

Thimoteo, que é secretário da ABPO, ajudou a definir o sistema de saúde implantado nas fazendas da associação para que os bois ganhassem o selo do Instituto Biodinâmico, entidade que certifica a carne orgânica no país. Além de proibir uso preventivo de alopatia, a técnica veta o uso de hormônios de crescimento e de ureia para facilitar a digestão dos animais.

Marcelo Rondon, veterinário que está implantando um programa de auditoria interna nas fazendas da associação, porém, reconhece que a medicina alternativa ainda não dá conta de alguns problemas, sobretudo no caso de miíases, as bicheiras.

“Se o animal está sofrendo muito ou correndo risco de morrer, eu faço uso de algum produto que pode ser um produto alopático”, diz Rondon. O uso, porém, segue controle rígido. “Identifico o animal por número, o produto usado, a dosagem, e o motivo da aplicação.”

A intenção, segundo o veterinário, não é apenas garantir a o bem estar do animal, mas evitar o abuso de antibióticos e substâncias que podem deixar resíduos na carne consumida.

A “felicidade” do gado, porém, tem seu preço. Segundo o Friboi, uma peça nobre como uma picanha orgânica custa cerca de 30% mais em grandes redes de supermercado, principal ponto de venda do produto. Hambúrgueres orgânicos, contudo, já têm um preço que pode competir com a carne comum.

(Fonte: Folha de S.Paulo)


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