Avaliação da sustentabilidade e alternativas de manejo agroecológicas conservam biodiversidade e espécies de animais

Maria Cristina Tordin

O Sítio Catavento em Indaiatuba, SP e a Fazenda Nata da Serra em Serra Negra, SP participam do estudo desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e pela Embrapa Monitoramento por Satélite (Campinas,SP) que avalia a sustentabilidade, mapeia e monitora a biodiversidade de propriedades agroecológicas.

Pedro Valarini, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, que coordena o estudo nessas Unidades, acredita que a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis é fundamental para estimular a biodiversidade.

Conforme levantamento feito pelo pesquisador Evaristo Miranda, da Embrapa Monitoramento por Satélite, inúmeras espécies de animais selvagens já podem ser vistos ou até morar em ambientes agrícolas. Eles procuram alimento e abrigo. Para o pesquisador, os bichos podem se adaptar a novos ambientes. “O sistema produtivo só tem a ganhar com esse aumento da biodiversidade, sobretudo no controle natural de pragas e doenças”.

O segredo é manter a temperatura e a umidade do solo em níveis que possibilitem a vida microbiológica, que é o início da cadeia alimentar, além de se evitar queimadas. A técnica de plantio direto, por exemplo, que mantém uma espessa camada de palha cobrindo o solo entre um plantio e outro, é excelente para essa finalidade, conclui.

Considerando o conceito de multifuncionalidade, essas duas unidades são consideradas modelo na busca da sustentabilidade, pois desenvolvem várias atividades produtivas e alternativas, além de promoverem intercâmbio e transferência de conhecimentos e experiências.

A agricultura orgânica faz parte do conceito abrangente de agricultura alternativa, envolvendo conjunto de processos de produção agrícola que parte do pressuposto básico de que a fertilidade é função direta da matéria orgânica contida no solo. Dessa forma, o sistema visa manejar, de forma equilibrada, o solo e demais recursos naturais como água, vegetais, animais, macro e microrganismos, procurando minimizar os impactos ambientais dessa atividade graças à eliminação do uso de agrotóxicos e de quaisquer adubos minerais de alta solubilidade nas práticas agrícolas, conservando-os em longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.

Valarini explica que o melhor desempenho do manejo orgânico em relação ao convencional é justificado pelas práticas adotadas na propriedade, como conservação dos recursos naturais, proteção das fontes de água, utilização de práticas conservacionistas do solo – coquetel de adubos verdes, cultivo mínimo, manutenção da cobertura do solo, plantio em curvas de nível, aproveitamento das plantas voluntárias como cobertura e incremento da biodiversidade; manutenção de matas como Reserva Legal e áreas de proteção permanente, inclusive nos morros e encostas, além de barreiras com cerca viva, policultivos e cultivos consorciados.

Para avaliar a sustentabilidade de alternativas de manejo agrícola, um estudo comparativo foi realizado em um grupo de 20 produtores com horticultura convencional e orgânica do interior de São Paulo, utilizando o Sistema de Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental de Atividades do Novo Rural APOIA-NovoRural) desenvolvido em 2003 pelos pesquisadores Geraldo Stacheti Rodrigues e Clayton Campanhola da Embrapa Meio Ambiente.

De aplicação relativamente simples, o sistema permite ativa participação dos produtores e responsáveis. Os dados inseridos em plataforma computacional de baixo custo, servem para a comunicação e o armazenamento de informações sobre impactos ambientais e desenvolvimento sustentável. Além disso, evidencia os pontos críticos a serem corrigidos por formas alternativas de manejo.

O desempenho ambiental no universo abrangido por esse estudo mostra que, à exceção da qualidade da atmosfera, que sofre pouca influência da atividade agrícola e da qualidade do solo, o manejo orgânico tende a melhorar as condições ambientais, apresentando desempenho superior ao convencional nas dimensões Ecologia da paisagem (19%) pela manutenção de Reserva Legal, além de menor risco de incêndio, de extinção de espécies ameaçadas e de risco de erosão, Água (13%) pela maior eficiência de oxigenação e menor presença de coliformes fecais, Valores socioculturais (7%) que abrange o acesso a educação, melhores condições de emprego e de serviços disponíveis e Gestão e Administração (74%) pelo melhor gerenciamento do negócio à comercialização, maior reciclagem de lixo doméstico e da produção e maior interação com as instituições parceiras.

Fonte: Revista Meio Filtrante

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