Entrevista com as fundadoras
Ecovilas é uma maneira de viver em grupo que com certeza é uma das soluções que acreditamos e apoiamos aqui no Paginas Verdes.
O movimento e as iniciativas crescem exponencialmente no Brasil – vários grupos se formando e pessoas interessadas.
Então, a gente resolveu fazer uma entrevista com um grupo que já está com a mão na massa no Sul do Brasil.
Confira a entrevista com a Eliana e a Tânia e Inspire-se!
O que inspirou vocês a fundar uma ecovila?
A necessidade de experimentar formas sustentáveis de moradia integral numa vida eco rural. Perceber que iniciativas pequenas, cuja missão e propósito são fortes, geram raízes em potencial e tornam-se na ação e silêncio um banco de sementes natural.
Querer aprofundar ensinamentos, conquistas e estar prontos a desafios cotidianos no mundo espiritual e na experiência humana. Entre inúmeras aprendizagens sincrônicas queríamos dar continuidade a aprendizagem da rica participação na antiga Comunidade de Nazaré, logo chamada de Centro de Vivências Nazaré em SP/área rural entre 1989 e 1999.
O chamado para sermos guardiãs de um canto da Mãe Terra e preservar um corredor natural de espécies de animais selvagens, criando pontes entre florestas próximas e distantes. Uma oportunidade de ser partícipes diretos da preservação da biodiversidade brasileira, principalmente das águas e obter os produtos diretamente da terra.
A vontade de promover um lugar que constrói pontes entre conhecimentos originais e comparados, numa ampla diversidade, sejam eles espirituais, técnicos, artísticos, medicinas, agrícolas, econômicos, etc, entre participantes e diversas iniciativas. Principalmente com as mãos na massa.
Experimentar a liberdade para além do estabelecido, tanto na expressão quanto nas práticas. Viver e promover uma “eco ética” responsável e a recriação cultural.
Uma nova prática de consumo, comércio e trocas de serviços e produtos, a fim de contribuir para as bases do desenvolvimento de uma Economia Solidária no Brasil, através do Fórum permanente e das nossas práticas locais. Implantar o sentido de abundância, bem como o de solidariedade que transcendem idéias sobre riqueza, ressentimentos sociais, oportunidades, etc.
Quais os fatores determinantes para a escolha do local?
A certeza e confiança absoluta no primeiro contato que esse era o lugar.
O potencial e a diversidade da geografia da área integral.
A dimensão ideal da terra, que comporta os cuidados de um pequeno núcleo de moradores.
A inacessibilidade a uma parte do terreno, conservando sua pureza energética, sem interferências.
A existência de construções, permitindo a remodelação das mesmas por nós mesmos e com reaproveitamento de materiais, contribuindo com a nossa economia inicial.
O potencial simbólico de uma roda d’água, referência de um estilo de vida artesanal e memória de tempos antigos, além da possibilidade de futura geração de energia renovável.
A existência de alguns cultivos, plantações frutíferas que proporcionaram um mínimo de sustentabilidade inicial.
Equilíbrio de proximidade entre pequena cidade, diversas áreas em anel rurais e outros centros urbanos não muito distantes.
Ausência de redes eletromagnéticas e iniciativas poluentes por perto.
Perfil de agricultura familiar na região.
A segurança da região, com pouca circulação de carros ou turistas.
A boa energia da família agricultora que habitava o lugar, que nos introduziu em parte na cultura tradicional de colonos.
Qual é a proposta da Aldeia Arawikay?
a) Ampliar linguagens de crescimento propondo uma diversificação de programas com orientação e aprimoramento do termo eco sustentabilidade em vários setores da vida, tais como: Acolhida Eco rural (Lazer consciente voltada a convivência espontânea no cotidiano); Atividades Rurais; Produção artesanal; eventos diversos ambientalistas educativos e outros.
b) Viver e subsistir financeiramente no local com sistemas de agricultura e agrofloresta, crescendo juntos em eventos ecológicos diversos. O sitio não tem financiadores e vive da proposta rural.
c) Praticar formas de Trocas Solidárias e uma nova economia. Há uma parceria com o micro empreendimento “Makaia Brasil” que produz e comercializa o artesanato sustentável em diversos locais e numa loja virtual. MB adquire de Arawikay a matéria prima para seus produtos.
d) Trabalhar em parcerias em diversas locais com líderes de grupo, indivíduos, redes, ongs e instituições que tenham semelhantes propósitos. Podem acontecer dentro da área rural ou urbana numa com uma Agenda Itinerante.
e) Realizar intercâmbios aprofundados no programa “Eco Pontes” onde há um chamado a encontros intensivos entre iniciativas afins com seus líderes ou representantes. Acontecem entre grupos menores e anualmente um encontro ampliado.
f) Crescer gradativamente expandindo um pequeno Anel Ecológico, interagindo com novos vizinhos engajados integralmente ou parcialmente com a proposta após aquisição de terra.
O que fazem no momento?
Desenvolvemos atividades rurais de produção e preservação, como artes, saúde natural, lazer. Visitantes podem escolher seu programa, datas e fazer a proposta de permanência dentro de uma “Agenda Fixa” com quatro modalidades de programas extensos.
Recebemos visitas na área rural de interessados para constituir o Anel Ecológico, orientando potenciais e passos numa estrutura existente. Há poucos terrenos a venda.
Participamos de Feiras Sustentáveis regionais e estaduais e levamos nossos produtos para a área urbana (produtos de artesanato e do campo). Participamos da Rede Ecovida de agricultura familiar onde estamos inseridos e onde recebemos o selo de certificação agroecológica. Acompanhamos processos nacionais de certificação.
Começamos a implantar em 2011 gradativamente o projeto de manejo agroflorestal e agroecológico ampliando cultivos para próprio consumo, comercialização, trocas e educação. Entre eles 70 espécies de árvores nativas frutíferas e diversificando outras exóticas nos pomares; produção de cogumelos shiitake em toras, apiários de abelhas nativas, reflorestamento de árvores nativas para obtenção de sementes e mudas ( para comercialização e educação).
Agimos dentro de redes e iniciativas como: Rede Ecovida de agricultura, Fórum de Economia Solidária, Rede de Ecovilas Brasileira, Rede de Oração e de Cura Planetária. Somos vinculados (um membro) a Associação Catarinense de Plantas Medicinais. Participamos de Redes de Danças da Paz e Circulares.
Realizamos estudos diversos em técnicas sustentáveis, nos aprimorando para implantá-las nas épocas adequadas.
Tecemos a estrutura de Arawikay com caminhos acessíveis em novos sistemas que permitam ingressos econômicos básicos ou complementares para os que virem residir ou para somarem-se conosco em diversas parcerias.
Escrevemos sobre a experiência desde a chegada (ano 2000), aguardando a possibilidade de edita-las em dois livros orientadores, assim como procurando também recursos e formas de publicá-los.
Procuramos apoios/ parcerias com pessoas ou instituições para preservação do habitat e interessados na compra de nossos produtos do campo e artesanatos. Também oferecemos apoios e parcerias.
Como funciona a moradia e participação?
A estrutura possui quatro anéis:
1-“Anel Apis” – Participação de visitantes
Acolhemos visitantes com diversas buscas dentro do “Campus Arawikay” de forma temporária, segundo escolha de programas e dentro de costumes de ecovilas/comunidades, permitindo no período de permanência uma aprendizagem integral. Os mesmos contribuem com seus custos e apoio.
Moradia:
Somos atualmente duas pessoas residentes co- criadoras do sistema morando e convivendo com os eco praticantes de períodos temporários e demais visitantes num cotidiano rural. Apoiados energeticamente por um grupo de “Guardiões de Arawikay” que não moram no local, crescemos gradativamente como sistema e estrutura.
Para futuros moradores existem:
2- “Anel das Árvores” – Destinado a implantação de novas residências através de compra de terra com escritura pública definitiva para cada comprador ou nas proximidades e como participantes do Anel Apis de forma integral ou parcial.
E necessário cadastrar-se e responder a um questionário se houver interesse de compra (são poucos os terrenos). Recebemos interessados para moradia através de participar de nossos programas ou dentro de uma visita específica para isto.
3- “Anel das Águas”- (acampamento com ritmo diferenciado de no mínimo 8 dias). É necessário entrar em contato para obter mais informações.
4- “Anel dos Pássaros”- (parcerias profissionais em outros projetos urbanos ou no próprio local rura,l independente de moradia, partindo do estudo de viabilidade de cada propostal.
Informações ampliadas em www.ecoaldeia.org/anel.
Veja outras formas de participação direta ou indireta em nosso site.
O que espera de Arawikay em cinco ou dez anos?
a) Que constitua seu pequeno anel ecológico com sustentação e dinâmicas de referência social, na forma de ocupação da terra e envolvimento. Mantermo-nos sempre com abertura para mudanças.
b) Colheita e diversificação de cultivos orgânicos para sustentabilidade local, trocas e comercialização, sendo também uma escola natural rural.
c) Estruturas remodeladas e multifuncionais com energias alternativas renováveis (principalmente estrutura da roda d ‘água). Construções que sejam simples e modelos ecológicos acessíveis. Acesso a tecnologias de comunicação da época.
d) A constituição de uma pequena RPPN (reserva particular de patrimônio natural) e/ou Escola de Práticas de estilos de vida rurais em um desmembramento da área que promova iniciativas de diversos enfoques científicos e comparados, ambientalistas, técnicos, espirituais, de crescimento humano.
Propostas de instituir algo afim, com criatividade e inovação de modo a ampliar potenciais.
e) Manter um ponto de luz, conexão e ação de grupo próximo orientado para um equilíbrio entre ações locais e externas, numa abrangência brasileira e com estrangeiros, que nos surpreenda a cada vez pelo bom uso da nossa liberdade.
f) Ter um rico acervo de registros sobre a experiência dos ciclos de Arawikay e sobre a sua interação com iniciativas, pessoas e seu universo sutil, através de entrevistas ou outros meios, como também encontrar patrocinadores para a publicação de livros.
g) Receber e dar apoio em diversos setores da sociedade mantendo o espírito de serviço.
Quanto aos costumes:
Praticamos no local:
- Alimentação natural, ovo lacto vegetariana, com opção para veganos.
- Estados de atenção plena.
- Evita-se a ingestão de produtos e drogas que alterem a consciência ou estado físico.
- Incentivamos o respeito e carinho aos animais e os cuidados ecológicos com o meio ambiente.
- Ritmo cotidiano flexível adaptado aos programas, indivíduos e grupos.
- Equilíbrio entre comunicação verbal e silêncio; espaços privados e comuns; tarefas dinâmicas e introspectivas; individualidade e vida grupal.
- Sistema de guardiões de espaços e tarefas.
Dedicam-se até 45 minutos diários de forma individual para atender a boa energia, beleza, organização, limpeza e inovação de espaços ou atividades para o bem comum.
- A preservação da energia vital.
Incentivamos a mudar de rotina e se retirar para a experiência, evitando eletromagnetismo e o uso de aparelhos elétricos, celulares e computadores (somente quando muito necessário).
- Sistemas de trocas com Arawikay.
Dentro de sistemas da economia solidária algumas possíveis formas de trocas podem ser sugeridas como parte da contribuição pela estadia e experiência. OBS: com prévio acordo antes da permanência.
+ Aldeia Arawikay
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