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28/05/2009

Sustentabilidade

por Rafael Bucco

Muita gente entende sustentabilidade por o que ela não é. Ela não é só preocupação com o meio ambiente, não é só proteger comunidades, não é só gastar dinheiro para reduzir nossa pegada de carbono, não é dedicar parte do faturamento ao patrocínio de ONGs. Ela é um sistema, como descreve a Wikipédia. É uma forma de pensar e agir levando-se em conta múltiplos fatores, que influenciarão a criação de um produto, serviço ou empresa. Fatores que abrangem o impacto social e ambiental, mas que incluem também o lucro como condição essencial para a atividade existir. E cada um desses fatores reforça a importância do outro. Nas empresas, esse sistema ganhou uma conceituação simplificada para que se facilite sua implantação.

triple-bottom-line

É esse o conceito usado para sintetizar as preocupações que uma empresa deve ter para agir de modo sustentável. Ele prega que a empresa precisa ter lucro, mas sem esquecer de amenizar seu impacto social e ambiental. Resumidamente, apoia-se num tripé:

Pessoas – A preocupação com o efeito social e até cultural que a instalação de uma empresa pode ter em determinada comunidade.

Planeta – A questão ambiental. A empresa deve agir de forma a garantir a renovação dos recursos naturais que consome em sua produção.

Lucro – Preocupar-se com as pessoas e com o planeta sem ter capacidade de gerar lucro não torna uma empresa sustentável, até porque a ausência de lucro pode levar à falência, eliminando a possível repercussão positiva que a atividade teria. Além dos recursos sociais e ambientais, é preciso prezar pela permanência dos recursos econômicos.

Quem pode?

A grande pergunta que nos chega é: a sustentabilidade é problema das grandes empresas, ou as pequenas e médias também devem se debruçar sobre o assunto? O fato é que as grandes são demandadas a trabalhar de forma sustentável. Elas produzem muito, empregam muito, faturam muito. Nas bolsas de valores de todo o mundo foram criados índices que listam somente empresas com relatórios que contenham o triple bottom line. Aqui no Brasil também há uma dessas listagens. É o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). No acumulado dos 12 meses que antecederam a crise (a bolsa começou a cair em junho de 2008), o ISE havia subido 53%. Para fazer uma comparação, significa dizer que ele subiu 28% a mais que o IGC (índice das empresas com governança corporativa) e cerca de 5% mais que o próprio Ibovespa (índice das ações mais negociadas no Brasil) no mesmo período.

“O mercado tem o tamanho da mudança de postura” – Thereza Cavalcacanti, da Sou São Paulo

E onde entram as pequenas e médias empresas nesse quadro? “Enquanto uma grande corporação dispõe de staff e orçamento próprios para iniciativas sociais, ambientais e de desenvolvimento econômico nas regiões em que atua, as PMEs podem diferenciar-se mediante iniciativas em sua política de recursos humanos e tecnologia de produção, ou na produção de artigos que possuam um apelo de sustentabilidade”, opina Gustavo Grisa, especialista em desenvolvimento regional e sustentabilidade. Ele também lembra que cabe à empresa manter-se atualizada, para estar apta a participar da cadeia de valor das grandes companhias. Aí, o papel das PMEs é reduzir o impacto ambiental e social de seus produtos e serviços, para continuar fornecendo a empresas presentes em listagens como o ISE.

O índice de sustentabilidade da bovespa se valorizou 5% mais que o Ibovespa no ano antes da crise

Qual é o caminho?

Para ser sustentável é preciso nascer assim, ou é melhor adequar processos e produtos depois que a empresa já se consolidou?

A verdade é que não há resposta. No momento, muitas empresas estão surgindo em torno de uma inovação. E as inovações estão despontando porque são alternativas ou soluções para problemas impostos por questões sociais e ambientais. “A sustentabilidade é reconhecida sempre quando se leva em conta algo anterior, um processo menos eficiente. É possível fazer engenharia com outra lógica, mas, se não for sustentável, a empresa está fadada a morrer”, acredita Luiz Alexandre, fundador da EcoPlano, grupo de empresas de engenharia e arquitetura que desenvolve produtos de menor impacto ambiental. Significa que hoje a sustentabilidade está diretamente relacionada à eficiência, ou à ecoeficiência: fazer melhor, usando menos, algo já conhecido.

Outro empresário, Flavio Lacerda, da Adespec – fabricante de colas e selantes –, pensa que ter como ponto de partida uma inovação sustentável facilita a entrada de uma empresa nessa esfera. “O desejável é que você entre com uma inovação porque tem um discurso, mas você também deve ter um produto melhor do que outro disponível no mercado. Mas ele precisa ser relevante. Considero que a nossa inovação não veio da sustentabilidade, mas do desempenho. Por quê? Porque todo mundo é verde até mostrar desempenho ou preço”, provoca.

E não é apenas na bolsa que o capital se mostra atraído pela sustentabilidade. Alguns fundos de venture capital já definiram como prioridade aportar dinheiro em empresas inovadoras desde que sustentáveis. É o caso da Axial Par e da Tripod Investments. E por isso também existe o New Ventures, instituição sem fins lucrativos que busca orientar empreendedores para adentrarem o mundo da sustentabilidade e, depois, aproximá-los de investidores. “Para o investidor, a ideia continua a mesma. Ele busca um negócio fazendo uma análise do risco. O sustentável é atrativo porque os produtos provavelmente terão uma vida mais longa”, observa André Carvalho, coordenador do New Ventures no Brasil. Ele pondera, porém, que fundos com esse interesse “são a exceção da exceção no Brasil”.

Isso não significa que o mercado seja pequeno. Pelo contrário. Ele tem o tamanho da necessidade de transformação pela qual passa o mundo. Não precisamos todos nos tornar sustentáveis? Então aí está a dimensão do mercado. “Ele tem o tamanho da mudança de postura”, defende Thereza Cavalcanti, diretora-executiva da Sou São Paulo, empresa que revende roupas feitas com PET por costureiras de comunidades carentes da capital paulista. Assim, se você tem um bom produto, ecoeficiente, e uma demanda bem identificada…Bem, esses investidores com certeza já o encontraram.

Publicidade desnecessária
Greenwash é o termo usado se uma empresa promete sustentabilidade e não cumpre, quando uma companhia afirma mentirosamente possuir produtos verdes ou exagera o impacto de suas medidas sustentáveis. É a publicidade enganosa a respeito de atributos verdes e sociais. A ONG TerraChoice até criou um site que lista as sete características (ou melhor, pecados) do greenwashing. Quer saber quais são e entender melhor? Clique aqui.

Stakeholders
Eis a palavra mais mencionada quando se toca no assunto. Stakeholders são os interessados, envolvidos e afetados direta e indiretamente pela ação de uma empresa. Traduzindo: são a comunidade onde a empresa se situa, os empregados, os fornecedores, os acionistas etc.

Sabe quais são os mitos da sustentabilidade? resultson.com.br/ed/15/mitos
Leve a sustentabilidade para o seu dia a dia: greengroove.org

Fonte: Results On

28/05/2009

Soluções Urbanas

a-convenient-truth-curitiba

Interessante quando a gente fica sabendo de coisas aqui no Brasil, à partir de amigos gringos!

Uma verdade Conveniente: Soluções Urbanas de Curitiba.

Versões em inglês, espanhol e português.

www.mariavazphoto.com/curitiba.

Leia o texto todinho in english do pessoal do Tree Hugger

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