Ecovila geralmente assim é chamada por comunidades intencionais com propósito de viver ecologicamente. O que se considera ecológico varia de ecovila pra ecovila – algumas aceitam ter cachorros e gatos, outras não. Algumas adotam determinado sistemas de loteamento, outras não. Alguns tem tonalidade de vida espiritual, outras não.
E assim, percebemos as possíveis variações entre ecovilas …
Desde que ouvi falar de ecovilas, viajei mundo afora para conhecê-las e tive a felicidade de morar em uma por algus anos.
Agora, voltando a São Paulo após 21 anos longe da intensa vida urbana, confesso estar em choque e ao mesmo tempo maravilhada com as necessidades e possibilidades de implementar sistemas que permeiem e ativem a sustentabilidade urbana.
Tem um conceito na Permacultura que me diz muito:‘A SOLUÇÃO ESTÁ NO PROBLEMA’. Isto me sustenta para acreditar ainda mais que é nas cidades que precisamos criar e fazer acontecer meios de e, para a sustentabilidade integrada.
E daí a minha visão de uma ecovila vertical.
Ao meu ver, uma ecovila vai muito além de suas técnicas de sustentabilidade. Claro que é importante o tipo de construção, materiais utilizados, área verde e tal – mas muito mais importante são os relacionamentos, a interação, as redes de amizade e o suporte criado entre o grupo e a região.
Ecovila Vertical que visiono aqui não é necessariamente de um prédio novo. Acredito na reciclagem do que já existe, do que está mal cuidado u abandonado, da reinvenção da atitude de como nos relacionamos em nossos prédios/condomínios que moramos AQUI e AGORA.
Te convido pra participar deste ‘toró de parpite’……como podemos criar ecovilas daonde já vivemos AGORA?
Algumas das idéias que vieram, e como um bom braisntorm, não parei pra avaliar …sem julgamentos hein?
- incentivar uso das escadas
- disponibilidade de uma lavanderia central – evitando que cada tenha que comprar um, dirigir pra levar a algum lugar,
- uso da água
Como já estamos vendo alguns exemplos de prédios que tem captação de água de chuva para aguar jardim, lavagem de carro, controle individual de gastos da mesma, torneiras inteligentes…e por que não falar da reciclagem da água . Ex água cinza da pia do banheiro para descarga do sanitário
- uso da eletricidade
Já pensa se os corredores tivessem sensores, por que ter todas aquelas luzes no corredor vazio? Como seria uma compra conjunta do prédio inteiro na compra de cortinas fotovoltáicas?
E podería ficar aqui a falar sobre as tintas ecológicas, produtos de limpeza biodegradáveis….
Mas na verdade, isso pra mim não seria o principal, se as pessoas ainda não fossem amigáveis, não se comunicassem e não quebrassem o forte individualismo.
Então, já que você tá lendo até agora vou colocar algumas coisas que acredito que dá pra fazer em qualquer prédio, desde já -
Reciclagem campanha, conscientização, criar daí uma possibilidade de geração de recurso
Compras em grupos > compras em atacado aumenta o poder de barganha, reduz consumo de energia fóssil, e potencaliza o uso de produtos ecologicos, ponto de entrega de produtos orgânicos e por que nao incluir as compras tipo basico como internet, telefonia, papel higienico, sabão, shampoo, etc…uma lista inicial poderia dar uma dica do que as pessoas topariam comprar no coletivo – mas acho que ANTES disso …….
acho que é necessário o processo coletivo né…em uma ecovila vertical – de repente, ANTES das pessoas mudarem pra lá elas saberiam das condições – como quando a gente entra em um prédio sabendo que não pode fazer barulho depois das 10 e que sei lá mais o quê – as tais regras…que numa ecovila seriam efetivadas através de uma reunião com busca pelo consenso.
Mas num condomínio já formado, talvez seria interessante abrir o tópico e ver quem queira participar. Se prepare, talvez você se surpreenda de como pode ter pessoas bem intencionadas e ávidas por um mundo melhor.
Bazar – já pensou que legal se tivesse uma feira de trocas a cada mudança de estação? Isso traria as pessoas pra se conectarem de uma forma mais próxima à Natureza – só pelo fato de lembrar que houve uma mudança de estação e mais importante cria um vínculo entre as pessoas, cria-se oportunidade das pessoas se cruzarem e até discutirem sobre problemas sem o stress de uma reunião. Também seria uma boa oportunidade até pra oferecer uma função tipo responsabilidade social do prédio.
Neste mesmo dia, poderia ser convidado uma pessoa para falar sobre algum tópico por exemplo como ter ervas em apartamento, algum assunto sobre viver melhor, alguma insttuição local que faz trabalho e que queiram voluntários
Imagina ter um quadro de avisos ao elevador uma lista de caronas solidárias…passeio de bicicleta, passeio ecologicos…
Incentivar as pessoas a utilizarem as escadas
Abrir espaço na garagem para bicicletas – já percebeu a complicação de tirar a bicicleta do teu apartamento, colocar no elevador e tal?
Profissionais disponíveis – às vezes a gente vai tão longe ou paga tão caro por um corte de cabelo, quando a cabelereira mora ao lado! Porque não utilizar o serviço local e direto da fonte?
Claro que este exemplo é tão estranho quanto a minha idéia de que o mundo já é melhor – então quem sabe você descubra uma vizinha que está desempregada mas faz um bolo dos deuses que é exatamente o que você precisa para aquela festa?
Membros da Economia Solidária no prédio
Ter um painel – tipo perto do elevador – com noticias e chamados para eventos ‘verdes’
E dependendo do espaço no andar térreo, por que não ter um café eco, por que nao ter uma lojinha de produtos dos moradores
E mesmo que falando em prédios, eu acredito sim que é possível ter vegetais, composto, minhocultura, até frutíferas! Algumas trepadeiras que fico a imaginar crescendo interligadas entre andares são: maracujá, xuxu, bucha, pepino, batata do ar,
uso do recurso No entanto, volto a dizer – o mais importante é como se fazMas você pode estar pensando, perai! isso tudo é caro, isso teria que refazer, isso e tal..
- E se tivesse um estilo bingo, sorteio pra ver quem ganha o mês de menor consumo?
Por que eu tô viajando nesta?
Porque eu cansei de ver pessoas (incluindo EU) que se interessam em qualidade de vida tipo: ecologia, natureza, permacultura and so on; como um primeiro ímpeto mudam-se para cidadezinhas vizinhas, mudam pro meio do mato ….eu mesma fiz isso – na verdade, várias vezes, mas depois me vejo sentindo falta da vida cultural ou de certas facilidades que uma cidade traz. E eu me pergunto: peraí…estou correndo do problema ao invés de contribuir para a solução? O tempo passa e a cidadezinha enche de pessoas, atrai hipermercado, mega posto de gasolina, pousadas chiques, spas pra stars, coisas que na verdade meio que acabam nao condizendo nem mesmo com a realidade local – para citar alguns exemplos: morro de sao paulo, jericoacara, garopaba, bombinhas, byron bay, maleny, gold coast, campos, trancoso, pipa… …e aí me pergunto ainda mais perplexa: será que além de não contribuir com uma solução, ainda estou trazendo problema pra esta cidadezinha?
Então, qual o seu palpite para uma ecovila vertical?


Publicado por Emi em abril 28, 2009 às 4:29 pm r r
Oi, PoMei! Parabens pela iniciativa do blog…adorei suas reflexões. Acho que enquanto não conseguirmos ver as cidades como parte integrante da natureza não vamos conseguir dar o devido cuidado a ela. Tem muita coisa da cidade grande que faz falta quando vamos para o interior, o fato é que tem muita coisa boa nela…então penso…o que é esse essencial que queremos conservar? se isso tiver claro…acho que as mudanças acontecerão a partir dela. O lance é que a gente sempre só foca nas mudanças…
Publicado por pomei em abril 29, 2009 às 1:24 am r r
Oi Emi,
Grata pelo incentivo!
E que bom vc me lembrar de que é preciso focar no positivo, naquilo que já existe …
E então…o que hoje mesmo eu tava amando das grandes cidades é a diversidade, da vida cultural ativa…Aliás tem uns exemplos superbons acontecendo em São Paulo, como: The Hub, Casa dos Holons e a Morada da Floresta…em breve um artigo e quem sabe um bate papo com eles aqui…
E você aí que está lendo; o que você gosta das grandes cidades?
Publicado por pomei em abril 29, 2009 às 1:29 am r r
AH! Hoje passei por um prédio em plena Avenida na Heitor Penteado com pé de laranja – Q DELICIA!!!!!!Então, acrescenta aí
PLANTAS FRUTIFERAS para prédios que ainda tem aquele baita jardim na frente.
Preciso escrever sobre o movimento mundial em hortas comunitarias….
Publicado por Tatí em novembro 11, 2009 às 8:40 am r r
Demais este blog, parabéns… eu tb já pensei em me mudar pra uma vila caiçara, uma ecovila ou pro meio do mato… mas no fim vejo que não tenho coragem de largar a correria que tanto me estressa… é masoquismo?
Já estive pensando sobre a possibilidade de melhorarmos as grandes cidades com pequenas práticas de coletividade… para tanto teremos que superar um obstáculo cultural – a falta de solidariedade – que talvez seja até alguma relação com o nível de renda do grupo.
Penso que talvez em uma favela ou bairro mais pobre seja até mais fácil implementar algumas das boas idéias postadas acima… esse debate deve vir a público e culminar em pesquisas que fomentem políticas públicas… ou podem começar meio atabalhoadamente a partir de associações comunitárias quem sabe…
Publicado por pomei em janeiro 6, 2010 às 10:53 pm r r
Oi Tati,
Acho que vc nao eh masoquista nao, vc eh uma dessas figuras que precisamos para fazer acontecer as mudancas tao necessarias.
Eu vou ver se publico em breve um trabalho que estao fazendo numa favela em Brasilia…eles estao aplicando principios de Permacultura e transformando a favela em uma ecovila.
Quanto as mudancas nas politicas publicas, acho que eh super importante, mas vale lembrar que pra isso precisamos dar um empurraozinho; nada mais do que exercer a cidadania ativa.
Quem sabe faz a hora, nao espera acontecer.
Se vc sabe de um movimento comunitario interessante, por favor nos comunique.
Teremos prazer imenso de divulgar, pois pode ser contagiante!
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